sexta-feira, 3 de março de 2017

Sapatilhas vencedoras

Os campeões de outrora eram muito menos exuberantes. Sem redes sociais onde as imagens circulassem rapidamente a ditar tendências e estilos. Precisámos de zero posts para lembrar para sempre o Carlos Lopes, em 1984, a cortar a meta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.  Até eu que quase não era nascida (era sim e já via televisão, mas ainda não sabia ler legendas). O Carlos Lopes era uma espécie de primo afastado de todos nós. Era da família.

Quem visita a exposição permanente do Pavilhão Carlos Lopes, reaberto ao público a 18 de Fevereiro deste ano, pode ver centenas de peças entre troféus, medalhas e equipamento desportivo, do acervo do atleta, e recordar o nosso querido maratonista: o primeiro 'medalha de ouro' português.

Vários pares de sapatilhas estão imortalizados em fotografias ou expostos em vitrines. O vencedor da medalha de ouro, na prova da maratona, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, esteve 2h9m21s com estas sapatilhas nos pés. Estas, são as sapatilhas vencedoras. São discretas, lindas, sofridas e desconfortáveis.

O recorde olímpico de Carlos Lopes só seria batido em 2008 nos Jogos Olímpicos de Pequim. Aposto que foi com umas sapatilhas óptimas cheias de câmaras de ar e sistemas de amortecimento.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Senhora da Penha Business School


Antes dos MBA, Startups, Pensamento Transversal, Inteligência Emocional, Técnicas de Negociação, Teorias da Liderança, Planos de Desenvolvimento Pessoal, Coaching, as resoluções de ano novo eram muito mais simples. Pediam-se desejos vagos, formulavam-se resoluções sem grande compromisso. Numa era em que o estabelecimento de objetivos já não toma apenas conta dos nossos projectos profissionais há que aplicar o conceito SMART à nossa vida pessoal também.

Se nas últimas 12 badaladas de 2016 desejaram coisas como: quero ter mais tempo para a família, vou fazer mais desporto ou vou aprender uma língua estrangeira, podem estar metidos num grande sarilho.

Se as resoluções/pedidos/ desejos não foram específicos, mensuráveis, alcançáveis, realistas e não consideraram um período de tempo, é possível que estes não se concretizem ou pior, que se fique na dúvida sobre se afinal fomos ou não bem sucedidos.

Há muito que eu já tinha esta consciência mas era preciso experimentar. Aliás foi esta experiência, que nada teve a ver com o Ano Novo, que permitiu fazer a extrapolação para a ‘Teoria das Resoluções do Revelhão’ que acabei de referir acima.
No início de Dezembro de 2015 subi a pé à Senhora da Penha. Uma ermida construída no sec XVI no cimo da Serra de São Paulo, junto a Castelo de Vide. Sentei-me a desenhar a 710 m de altitude – níveis de oxigénio normais – e sem saber como, acabei a fazer uma promessa. Ou seja, formulei um desejo e estabeleci um contrato não assinado com a Senhora da Penha.

Nunca mais me lembrei deste episódio durante meses. Há uns dias, enquanto planeava o meu regresso a Castelo de Vide a minha memória chamou-me à razão. Acontece que a forma como fiz o pedido foi vaga. Não expliquei bem o que queria que acontecesse.  Talvez até já tenha acontecido...

Não tive alternativa, voltei a subir à Senhora da Penha para esclarecer tudo e explicar especificamente a minha ideia e como podemos monitorizar o seu progresso. Ambas concordámos que é alcançável e realista. A parte mais difícil foi chegar a um acordo quanto aos prazos. No que diz respeito ao tempo, tive mesmo que ceder.