sábado, 28 de maio de 2016

O cacilheiro cor de laranja

Quando o vi ao longe, decidi que queria prendê-lo no meu caderno. A forma como namorava o Tejo, a espuma suave, a proa arrebitada.

Sentei-me na esperança que ele passasse à minha frente. Que fizesse a melhor pose e me piscasse o olho.

Então?

Afinal, o cacilheiro cor de laranja ía noutra direcção...

 

sábado, 21 de maio de 2016

Running for the Unknown


Esta semana voltei aos meus treinos. Não posso dizer que desconhecia as consequências de fazer infinitas pranchas, agachamentos, saltos a pés juntos e tantos outros exercícios que só resultam se eu não comer chocolates. Voltei ao sitío onde comecei: as imediações da Fundação Champalimaud. A primeira vez que me entreguei aos treinos demoníacos da L ainda não desenhava. Nem queiram saber a diferença. Por cada sprint pensava: tenho de vir desenhar para aqui.

E como não tem graça nehuma ser feliz sozinha, convoquei alguém muito talentoso para desenhar comigo. Lá fomos nós, cheias da luz daqueles fins de tarde que só o Tejo nos devolve.

Quando prestamos atenção descobrimos que afinal aquele sítio, para onde já olhámos tantas vezes, nos é totalmente desconhecido (incluído o facto de eu não aprender a montar carimbos).

 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

BE BRAVE

Pôr gasóleo, levar o carro à inspecção, pôr água no depósito, ver o ar dos pneus. Qualquer tarefa que envolva oficinas ou abrir o capô causa-me uma enorme ansiedade. Quando desenho também fujo dos carros. As rodas nunca cabem, os guarda-lamas ficam tortos. Nenhum carro desenhado por mim teria qualquer hipótese de se fazer à estrada.

Desenhar o que nos mete medo. Be Brave.
Este fim de semana o desafio tinha uma dimensão ainda maior. Desenhar para homenagear alguém que foi embora para sempre. Alguém que adorava desenhar carros.

Este desenho é para ele: Florian Afflerbach.

domingo, 1 de maio de 2016

Parece a Dilma


Hoje o almoço de família foi como se quer: horários cumpridos e apenas um copo entornado.  A mãe não teve de fazer o almoço de domingo mas teve de pousar para mim. Aposto que foi mais difícil do que cozinhar para nós todos.

Desenho terminado e o coraçãozinho de 13 anos da minha sobrinha, sempre ao pé da boca, profere as seguintes palavras: “Tia, parece a Dilma”. A Dilma? Nada a ver. Só tem uma coisa em comum com ela: é uma querida.